Fatores que interferem na intensidade da R-UV

Introdução

Os níveis de radiação ultravioleta que alcançam a superfície da terra podem variar dependendo de diversos fatores. Cada um dos fatores abaixo pode aumentar o seu risco de uma exposição excessiva e consequentemente afetar a sua saúde.

  • A Camada de ozônio
    (concentração do gás ozônio na alta atmosfera),
  • Altitude
    (em altas altitudes estamos sujeitos a doses mais elevadas de radiação ultravioleta ),
  • Hora do dia
    (entre 10h e 16h, quando o Sol está mais ‘alto’ no ceú a intensidade de radiação ultravioleta é maior),
  • Estação do ano
    (nos dias de inverno a radiação ultravioleta é um pouco menor, se comparada aos dias de verão),
  • Superfície ou cobertura do solo
    (neve e areia refletem muita radiação e podem aumentar muito a exposição à radiação ultravioleta ),
  • Nebulosidade
    (as nuvens filtram parte da radiação ultravioleta , mas devemos nos cuidar mesmo em dias nublados),
  • Localização geográfica
    (regiões tropicais estão sujeitas a uma incidência de radiação ultravioleta muito maior do que regiões temperadas).

 figura a seguir, ilustra como cada fator atua, atenuando ou aumentando a incidência de radiação ultravioleta .

Fatores que interferem com o nível de R-UV. Adaptado do Programa SunWise - U.S. Environmental Protection Agency (EPA)

Fatores que interferem com o nível de R-UV. Adaptado do Programa SunWise – U.S. Environmental Protection Agency (EPA)

Para uma mesma região, os fatores que contribuem para aumentar ou diminuir a incidência da radiação ultravioleta são basicamente a hora do dia, a estação do ano, a nebulosidade e o tipo de piso (ou superfície).

Altitude

Quanto maior a altitude onde uma localidade está situada, menos densa é a atmosfera e , portanto, menor quantidade de radiação ultravioleta é espalhada e/ou absorvida. Isso implica numa maior incidência de radiação ultravioleta.

aspen_town_mountain

Aspen. É uma cidade americana, localizada no centro das Montanhas Rochosas, Estado do Colorado, situada a mais de 2.400 metros de altitude (Fonte: https://aspen.blacktieskis.com/snowing-in-aspen/)

O nível de radiação ultravioleta aumenta de 10% a 12% a cada 1.000 metros de altitude!

Hora do dia

Ao longo de um dia, a radiação ultravioleta sofre grandes variações, sendo que os valores mínimos são observados no início da manhã e no final da tarde. Os valores máximos são percebidos no meio da tarde. Este é o motivo pelo qual ouvimos constantemente recomendações para evitarmos a exposição ao Sol entre 10 h e 16h. É neste intervalo que a radiação ultravoleta atinge valores máximos.

Variação R-UV no dia

Variação do Índice UV (IUV) durante o dia. Adaptado do Programa SunWise, U.S. Environmental Protection Agency – EPA.

A figura acima ilustra um gráfico típico da variação diária da intensidade de radiação ultravioleta (índice ultravioleta). Observe que, para este local específico,  os valores máximos atingem 9, de uma escala que vai até 15.

LEMBRE-SE: Na maior parte do Brasil, em dias de verão é comum observarmos valores em torno de 13 a 14!!!  

Estações do ano

Ao longo do ano podemos também observar variações na intensidade da radiação UV

Em latitudes mais altas, a variação é maior, pois a posição aparente do Sol e, portanto, o ângulo de incidência dos raios solares varia significativamente entre as estações de verão e inverno. Isto explica o fato destas regiões possuírem estações do ano “bem definidas” e explica, também, o fato da intensidade de radiação ultravioleta variar bastante nestas regiões.

Em países como Canadá, Alemanha, Suíça, Noruega, Chile e Argentina, nos dias de verão a radiação ultravioleta máxima é muito maior que nos dias de inverno.

Em latitudes mais baixas, próximas à linha do Equador (aonde se encontra a maior parte do território brasileiro) esta variação sazonal (diferenças entre valores máximos e mínimos entre as estações do ano) é bem menor.

A figura a seguir ilustra a variação média do índice ultravioleta ao longo do ano para algumas cidades da região sudeste do Brasil. 

Variação do Índice UV em capitais Brasileiras. Cortesia: Prof. Dr. Marcelo de Paula Corrêa – IRN / UNIFEI

Variação do Índice UV em capitais Brasileiras. Cortesia: Prof. Dr. Marcelo de Paula Corrêa – IRN / UNIFEI

LEMBRE-SE: Próximo ao Equador, Brasil inclusive, a intensidade da radiação ultravioleta é intensa durante praticamente o ano todo!

Nebulosidade

As nuvens interferem absorvendo e/ou espalhando parte da quantidade de radiação ulçtravioleta que as atinge.

Em dias de alta nebulosidade, quando o Sol está totalmente encoberto, percebemos uma redução na intensidade da radiação ultravioleta, já que as nuvens atuam absorvendo e/ou espalhando a radiação ultravioleta em várias direções, reduzindo o total que chega á superfície. Essa diminuição pode chegar a 70%.

No entanto, se o céu estiver apenas parcialmente encoberto, os fluxos globais de radiação podem até mesmo ser aumentados em cerca de 25%, pois a radiação difusa (espalhada) pode se somar à radiação direta proveniente do Sol.

A Tabela a seguir ilustra a porcentagem de radiação ultravioleta que atinge a superfície para diferentes condições de nebulosidade.

Cobert  núvens 4 Cobert  núvens 3 Cobert  núvens 2 Cobert  núvens 1
0% – 25%  25% – 50%  50% – 75%  75% – 100%
Imagens: CPTEC/INPE

O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos / Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC / INPE) disponibiliza em seu site informações sobre a previsão do índice ultravioleta – IUV – (intensidade da radiação ultravioleta incidente sobre a superfície da Terra) para todo o Brasil. Essa previsão representa o valor máximo da radiação UV esperada quando o Sol atinge o ponto mais alto no céu – meio-dia solar – em uma condição de céu claro.

Tipo de superfície

Se você pensa que a radiação ultravioleta só vem “de cima”, está enganado!

A exposição direta ao Sol não é a única forma pela qual a radiação ultravioleta pode nos “pegar”. Muitas vezes nos expomos à radiação ultravioleta sem nos darmos conta e isto acontece, por exemplo, quando ficamos ao abrigo de um guarda-sol na praia. Isto mesmo!

Na praia, mesmo sob um guarda-sol, podemos sofrer queimaduras sérias por conta da radiação ultravioleta refletida pela areia.

Que fique claro!… Não é somente a exposição direta ao Sol que queima. A radiação refletida também provoca queimaduras sérias. PROTEJA-SE da reflexão de superfícies como areia, concreto, pisos claros e da radiação dispersa (espalhada) pelos constituintes da atmosfera (vapor d’água, nuvens, poeira, fuligem).

Algumas superfícies e construções têm a capacidade de refletir uma grande quantidade da radiação ultravioleta que as atinge.   

Refletividade (%) da radiação ultravioleta em diferentes superfícies
Superfície % de radiação ultravioleta refletida
Grama 1% a 4%
Água tranquila 3% a 8%
Solo (terra) 4% a 6%
Asfalto 4% a 9%
Concreto 7% a 12%
Água agitada 8% a 13%
Areia seca 15% a 18
Neve fresca 85% a 88%

Na tabela acima, observe que superfícies uniformes, como o concreto e asfalto, independentemente de serem escuros ou claros, tipicamente refletem maiores quantidades de radiação ultravioleta que as superfícies irregulares.

A água absorve quase toda radiação ultravioleta quando a sua superfície está tranquila. Já água agitada ela reflete uma considerável quantidade de radiação ultravioleta .