Câncer de pele

Introdução

O câncer de pele é um dos efeitos mais graves que pode ocorrer com a exposição excessiva à radiação ultravioleta emitida pelo Sol ou camas de bronzeamento artificial. No Brasil, o câncer de pele é o tipo de câncer mais incidente , sendo responsável por cerca de 25% de todos os casos de câncer diagnosticados.

A exposição excessiva à radiação ultravioleta traz um sério risco para o desenvolvimento do câncer de pele para todos, mas nem todos estão sob o mesmo risco.

Algumas pessoas podem estar sob um risco maior para desenvolverem o câncer de pele se apresentarem algum dos fatores abaixo:

  • Pele clara  
    (geralmente queima mais facilmente)
  • História de queimaduras solares
    (exposição crônica ou intermitente ao Sol na infância ou adolescência)
  • História familiar de câncer de pele
    (se constatado em parentes de primeiro grau. aumenta em até 50% o risco)
  • História pessoal de câncer de pele
    (risco de recorrência em pessoas onde a doença já se manisfetou)
  • Deficiência imunológica
    (portadores de doenças que alteram as defesas do organismo – HIV, linfomas, etc. – se expostas ao Sol estão mais sujeitas a desenvolverem câncer de pele)
  • Presença de nevus
    (sinais ou pintas)

São três os principais tipos de câncer de pele: melanoma cutâneo (MC), carcinoma basocelular ou de células basais (CBC) e o carcinoma espinocelular ou de células escamosa (CEC). Os dois últimos constituem o grupo chamado de câncer de pele não-melanoma (CPNM).

Além das medidas preventivas devemos realizar o autoexame da pele, um método simples que possibilita a detecção precoce do câncer de pele. Se diagnosticado e tratado enquanto o tumor não tiver invadido profundamente a pele, o câncer de pele pode ser curado.

Um em cada três casos de câncer diagnosticados no mundo corresponde ao câncer de pele. Fonte: OMS, 2006.

Melanoma cutâneo

O melanoma cutâneo é o tipo de câncer de pele menos comum (responsável por aproximadamente 5% dos casos de câncer de pele), entretanto o mais agressivo. Ocorrem com mais frequência na região superior das costas dos homens e mulheres, e também na região das pernas das mulheres. Mas lembre-se de que isto não é uma regra, pois podem aparecer em qualquer outra região do corpo.

Muitos cientistas apontam uma ligação entre queimaduras solares na infância e adolescência e o desenvolvimento do melanoma na vida adulta. Estima-se um período entre 10 e 30 anos para que as manifestações clínicas do câncer ocorram.

 Com relação ao melanoma cutâneo é importante sabermos que:

  • 80% dos casos surgem em idades entre 25 – 65 anos
  • A radiação ultravioleta é o maior fator etiológico no seu desenvolvimento
  • O papel da intensidade e freqüência das exposições é debatido, mas ambas as exposições crônica e intermitente têm um papel relevante na sua gênese
  • Hereditariedade explica uma minoria dos casos (5%-10%)
Taxas de cura

O melanoma pode disseminar para outras partes do corpo rapidamente, mas quando detectados em estágios precoces ele geralmente é curável. Se não é detectado precocemente, geralmente é fatal.

Sinais de alerta 

O melanoma cutâneo inicia-se com um crescimento descontrolado de células produtoras de pigmento na pele. Este crescimento leva à formação de pintas e/ou sinais malignos, fortemente pigmentados. Os melanomas podem aparecer subitamente sem aviso, mas também podem desenvolver-se de um sinal ou uma região próxima a este. Por esta razão é importante saber a localização e aparência dos sinais no corpo, desta forma qualquer modificação será notada.

Imagem: http:\\dermatlas.med.jhmi.edu

Imagem: http:\\dermatlas.med.jhmi.edu

Imagem: www.atlasdermatologico.com.br

Deve-se ter em mente o ABCD das características clínicas do melanoma, que podem ajudar a você suspeitar de um sinal (ou pinta)
ABCD do melanoma
  • Assimetria
    (uma metade diferente da outra)
  • Bordas irregulares
    (contorno mal definido)
  • Cor varíável
    (mesmo lesão com várias colorações)
  • Diâmetro
    (maior do que 0,6 milimetro)

Entretanto alguns melanomas podem ter o diagnóstico dificultado por não apresentar as características descritas no ABCD. Com isso, a outra característica que pode ajudar é a E de Evolução e/ou Elevação de uma lesão existente ou o desenvolvimento de uma nova lesão.

FIQUE ATENTO a qualquer mancha na pele! Suspeite de manchas pigmentadas que mudam de tamanho, cor ou com algum tipo de crescimento irregular. Preste atenção nas descamações, infiltrações, sangramentos ou modificações na aparência de um caroço ou nódulo. Verifique a evolução da extensão da borda de qualquer sinal na pele, se há sensação de coceira, modificação na sensibilidade ou dor.

Veja outras imagens. Fonte: Derm Atlas – Johns Hopkins University

Melanoma in situ
Melanoma em perna
Melanoma em braço
Melanoma desmoplásico
Melanoma lentiginoso


Câncer de pele não melanoma

Diferente do melanoma, esses cânceres raramente são fatais. Apesar disso não devem ser tidos como inofensivos. Se não tratados podem disseminar para outros órgãos e causar problemas mais sérios.

Existem dois tipos principais de cânceres não-melanomas: o carcinoma basocelular ou de células basais (CBC) e o carcinoma espinocelular ou de células escamosas (CEC).

Carcinoma basocelular ou de células basais (CBC) 

São tumores de pele que se originam de células não queratinizadas da camada basal da epiderme. 

Usualmente aparecem como nódulos pequenos e de aspecto carnudo, em áreas expostas ao Sol, sendo que cerca de 30% das lesões ocorrem no nariz. Entretanto, ele pode surgir em qualquer local, mesmo em áreas não expostas ao Sol.

É o tipo de câncer mais comum entre as pessoas de pele clara. Cresce lentamente e raramente disseminam para outras partes do corpo, mas podem penetrar abaixo da pele, nas cartilagens, nos ossos e causar um considerável dano local.

O carcinoma basocelular tem se tornado comum em pessoas jovens.

O desenvolvimento do carcinoma basocelular mais comumente envolve a exposição à radiação ultravioleta, que causa mutações em genes supressores de tumor. Mutações específicas induzidas pela radiação ultravioleta, no gene P53, têm sido encontradas em cerca de 60% dos casos desse tipo de câncer.

O carcinoma basocelular pode ser dividido em 4 tipos básicos: nodular, superficial, pigmentado e morfeiforme (morféia: é um espessamento e endurecimento da pele e tecidos subcutâneos decorrente da deposição excessiva de colágeno).

Imagem: aafp.org

Imagem: dermis.net

Imagem: courses.washington. edu

Imagem: plasticsurgerynotes.net

50% a 90%  carcinomas basocelulares são causados pela exposição excessiva à radiação ultravioleta. Fonte: OMS, 2006.

Veja outras imagens. Fonte: Derm Atlas – Johns Hopkins University
CCB em pavilhão auricular

CCB em pescoço
CCB em nariz

Carcinoma espinocelular ou de células escamosas (CEC)

São tumores de pele que se originam de células queratinizadas que mostram características malignas, incluindo anaplasia, crescimento rápido , invasão local e potencial para disseminar mais facilmente para outras partes do corpo.

Pode aparecer como um nódulo ou uma mancha ligeiramente elevada,  descamativa e avermelhada em áreas expostas ao Sol, mas pode surgir em qualquer local do corpo . É o segundo câncer de pele mais comumente encontrado em pessoas de pele clara. Raramente ocorre em pessoas com pele escura. 

                                         CEC - OMS CEC - OMS (2)

 Imagem: Organização Mundial da Saúde

Veja outras imagens. Fonte: Derm Atlas – Johns Hopkins University.
CCE em pavilhão auricular
CCE em lábio inferior
CCE em face

50% a 70% dos casos de carcinomas espinocelulares de pele são causados pela exposição excessiva à radiação ultravioleta
Taxas de cura

Esses dois tipos de cânceres de pele possuem uma taxa de cura de 95%, se detectados precocemente.

Sinais de alerta

Carcinoma basocelular usualmente apresenta-se como nódulos perolados, translúcidos, elevados, com crescimento lento, que, se não tratado, pode formar crostas, drenar pus e sangrar.

Carcinoma espinocelular usualmente são nódulos elevados, descamativos, vermelhos ou rosas, ou crescem aparentando uma verruga que forma pus em seu centro. Desenvolve-se principalmente nas orelhas, face, lábios, boca, mão e outras áreas expostas do corpo.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, de cada 5 casos de câncer de pele, 4 podem ser prevenidos com mudança de comportamento

“… o câncer de pele pode ser prevenido. Entretanto, o desafio está em modificar atitude e comportamentos que aumentam o risco das pessoas desenvolverem o câncer de pele…”

David Satcher, MD, PhD
Cirurgião geral